Tempo de reposição, também chamado de lead time, é o número de dias que o seu fornecedor leva para entregar um pedido, contando do momento em que você compra até o produto chegar ao estoque. Se você pede na segunda e recebe na segunda seguinte, o seu tempo de reposição é de 7 dias. Esse número parece simples, mas é a base de quase toda decisão de estoque: é ele que define quanto você precisa manter em casa para não faltar produto enquanto a próxima compra está a caminho. Errar o lead time, por usar o prazo prometido em vez do real, é uma das causas mais comuns de ruptura. Abaixo, a diferença entre o prometido e o real, como medir o seu de verdade e como ele determina o seu estoque mínimo.
Tempo de reposição prometido e real: por que são diferentes?
Todo fornecedor tem um tempo de reposição prometido, aquele que ele coloca no contrato ou fala no telefone. O problema é que existe também o tempo real, o que acontece de fato quando o pedido passa pela logística do mundo de verdade, com atraso, com imprevisto, com a entrega que escorrega. Na prática, o tempo real costuma ser mais longo do que o prometido, e quem planeja pelo número otimista acaba pagando a conta lá na frente, na forma de ruptura.
A regra de ouro aqui é planejar pelo tempo real, nunca pelo prometido. Se o fornecedor diz que entrega em 10 dias mas costuma levar 15, e você dimensiona o estoque para 10, vai ficar a descoberto nos 5 dias que faltam. Esses dias de buraco são exatamente quando a ruptura aparece, com o cliente chegando para comprar e o produto já tendo acabado, à espera de uma reposição que ainda está na estrada.
A diferença entre o prometido e o real não é necessariamente má fé do fornecedor, é a natureza da operação. Ele também depende da própria cadeia, do estoque dele, da transportadora, da rota. O que cabe a você é não tratar a promessa como garantia e sim como ponto de partida, ajustando para o que a sua própria experiência com aquele fornecedor mostra ao longo das entregas.
Trabalhar com o número real também muda a forma como você negocia. Quando você tem o histórico de entregas na mão, a conversa com o fornecedor deixa de ser sobre o que ele promete e passa a ser sobre o que ele entrega. Esse dado dá poder de barganha, e reduzir o lead time real é uma das negociações que mais economiza capital, como mostra o conteúdo sobre negociar o lead time com o fornecedor.
Como medir o seu tempo de reposição real?
Medir o tempo real é mais simples do que parece e não exige sistema nenhum para começar.
O passo a passo da medição
Pegue as últimas dez compras que você fez com aquele fornecedor e, para cada uma, anote a data em que fez o pedido e a data em que o produto entrou no estoque. A diferença entre as duas é o tempo daquela compra específica. Você terá dez números, um para cada pedido, refletindo o comportamento real da entrega. Em seguida, tire a média desses dez valores, e esse é o seu tempo de reposição real, o número que deve entrar no planejamento.
Um exemplo com números
A tabela abaixo mostra um exemplo com cinco entregas recentes de um fornecedor que promete 10 dias, para ilustrar a diferença entre a promessa e a realidade.
| Compra | Prometido | Real |
|---|---|---|
| 1 | 10 dias | 9 dias |
| 2 | 10 dias | 14 dias |
| 3 | 10 dias | 12 dias |
| 4 | 10 dias | 16 dias |
| 5 | 10 dias | 11 dias |
| Média | 10 dias | 12,4 dias |
Nesse exemplo, o fornecedor promete 10 dias, mas a média real é de mais de 12, e em um caso chegou a 16. Quem planeja com 10 fica exposto sempre que a entrega passa disso, que foi a maioria das vezes. Usar a média real, de 12 a 13 dias, e ainda olhar a variação, que vai de 9 a 16, é o que protege contra a falta. A média conta a tendência, a variação conta o risco, e as duas juntas definem quanta margem de segurança você precisa.
Refazer essa medição de tempos em tempos mantém o número honesto. Fornecedor muda, troca de transportadora, passa por períodos melhores e piores, e o lead time acompanha. Um valor que era verdade há seis meses pode estar desatualizado hoje. Revisitar as últimas entregas a cada trimestre garante que o seu planejamento esteja apoiado na realidade atual, e não numa medição que envelheceu sem você perceber.
Por que o tempo de reposição varia tanto?
O tempo de reposição oscila porque a logística é cheia de variáveis fora do seu controle. O fornecedor pode estar com o próprio estoque baixo e atrasar a produção. A transportadora pode enfrentar um problema na rota. Uma chuva forte segura a entrega, um período de pico congestiona tudo, uma mudança de trajeto adiciona dias. O lead time é, por natureza, um número que respira, não uma constante que você fixa e esquece.
Por causa dessa oscilação, planejar com o valor médio sozinho não basta, é preciso uma gordura extra. Essa margem é o estoque de segurança, a reserva que cobre justamente os dias em que a entrega vem mais lenta do que o normal. Sem ela, qualquer atraso acima da média joga você direto na ruptura, mesmo tendo feito o pedido na hora certa. A margem é o seguro contra a parte imprevisível do lead time.
O tamanho dessa margem depende de quão instável o seu fornecedor é. Fornecedor regular, que entrega quase sempre no mesmo prazo, pede uma reserva pequena. Fornecedor imprevisível, que ora entrega rápido ora atrasa muito, exige um colchão maior, porque o risco de quebrar é maior. Calibrar essa reserva por fornecedor, e não no chute para todos igual, é o que equilibra proteção contra ruptura e capital parado.
A distância também molda o lead time de forma bem concreta. Fornecedor local, a poucos quilômetros, costuma entregar em 2 ou 3 dias. Fornecedor regional, a algumas centenas de quilômetros, fica na faixa de 5 a 7 dias. Produto importado pode levar de 30 a 45 dias. Cada cenário muda quanto estoque você precisa manter, e quem compra de longe precisa de muito mais cobertura para não ficar exposto durante a espera.
Como o tempo de reposição define o seu estoque mínimo?
O lead time é o que conecta a sua venda ao momento de comprar de novo. A lógica é direta: você precisa ter estoque suficiente para atender a demanda durante todo o tempo que o fornecedor leva para repor, mais a margem de segurança. Se você vende 20 unidades por dia e o lead time real é de 12 dias, precisa de pelo menos 240 unidades só para cobrir o período de espera, antes mesmo de pensar na reserva extra.
É desse cálculo que nasce o ponto de pedido, o nível de estoque que dispara a hora de comprar. Quando o saldo chega nesse patamar, você faz o pedido sabendo que o produto novo vai chegar pouco antes de o atual zerar. Sem considerar o lead time real, o ponto de pedido fica errado, e você acaba comprando tarde demais e rompendo, ou cedo demais e acumulando estoque parado sem necessidade. O lead time é o coração desse cálculo.
O tempo de reposição também conversa direto com a cobertura, que mede por quantos dias o seu estoque ainda dura. A leitura sempre se faz uma contra a outra: se a cobertura cai e se aproxima do lead time, o alerta de compra precisa soar. Manter a cobertura sempre acima do tempo de reposição, com uma folga de segurança, é o que garante que o produto não falte. Vale entender melhor a cobertura de estoque para fechar esse raciocínio.
Fazer essa conta para um produto é tranquilo, o desafio é manter o ponto de pedido de todos os itens atualizado conforme a venda muda e o lead time oscila. Numa loja com muitos SKUs, isso vira um trabalho contínuo que a planilha não sustenta. O Estocômetro monitora a cobertura de cada produto em tempo real e avisa quando é hora de repor, considerando o ritmo de venda e o prazo de entrega. Dá para testar 7 dias grátis e ver isso aplicado à sua loja, junto com o guia de gestão de estoque para e-commerce.
Perguntas frequentes
O que é tempo de reposição?
É o número de dias que o fornecedor leva para entregar um pedido, do momento da compra até o produto chegar ao seu estoque. Ele define quanto estoque mínimo você precisa manter para não faltar produto durante a espera pela reposição.
Lead time é a mesma coisa que tempo de reposição?
Sim, são sinônimos. Lead time é o termo em inglês e tempo de reposição é a versão em português, ambos se referem ao prazo entre fazer o pedido e receber a mercadoria no estoque.
Devo usar o prazo prometido ou o real?
Sempre o real. O prazo prometido costuma ser mais curto do que a entrega de fato, e planejar por ele deixa você descoberto nos dias de atraso. Meça a média das últimas dez entregas e use esse número, junto com a variação.
Como medir o lead time real?
Pegue as últimas dez compras do fornecedor, anote os dias entre o pedido e o recebimento de cada uma e tire a média. Olhe também a variação, do menor ao maior prazo, porque ela indica quanta margem de segurança você precisa.
O que fazer se o fornecedor aumenta o lead time?
Aumente a sua cobertura de estoque na mesma medida. Se o prazo subiu de 12 para 18 dias, o seu estoque mínimo precisa cobrir esses 18 dias mais a margem de segurança, ou negocie um prazo menor ou entregas mais frequentes.
